quarta-feira, agosto 04, 2004

Nova Época

Estamos naquela altura do ano em que a relação dos media desportivos com os clubes de futebol está prestes a azedar. Desde o começo dos trabalhos das equipas, que os clubes vivem em estado de graça com a imprensa desportiva. Os jornais enchem a alma dos adeptos com novos jogadores, treinadores, tácticas e dinheiro fresco a entrar de transferências milionárias. A análise que os comentadores fazem dos jogos de preparação é no mínimo ridícula: dão imenso valor aos pequenos detalhes individuais, procuram justificações para os maus resultados, toleram jogos miseráveis, mimam os jogadores como se eles fossem heróis, no fundo enchem de esperanças os adeptos mais irracionais. Mas essa postura simpática não é mais do que uma armadilha para o que aí vem. Com o começo das competições oficiais nada mudará no que diz respeito ao rendimento das equipas, mas a mão pesada da imprensa desportiva vai começar a ditar as suas leis. Tal como aconteceu em anos anteriores, os comentários vão deixar de ser uma propaganda aos clubes, para passarem a ser regidos pelos resultados. No fundo, os comentadores protegem sempre quem vai à frente, independentemente da qualidade do futebol praticado e colocam imensa pressão às restantes equipas que estão sempre “proibidas de perder”. E visto que a comunicação social desportiva é uma péssima fonte de informação, torna-se essencial ver os jogos de preparação para tentar perceber qual vai ser a melhor equipa neste ano. Foi o que fiz este fim de semana com o Sporting, Benfica e Porto. Não escondo que fiquei contente com o que vi. Não só o Sporting e Benfica mostraram mais futebol do que no ano transacto, como o Porto piorou muito desde Maio. Normalmente seria lógico que a relação de forças entre os três clubes passasse a estar mais equilibrada. Mas ainda falta um factor que pode desequilibrar novamente: Diego. Não é todos os dias que temos na liga portuguesa um candidato a melhor jogador do mundo. Certamente que as próximas semanas darão uma perspectiva mais clara do que irá acontecer. Veremos até que ponto o Sporting e Benfica, com a irreverência da sua juventude e a perspicácia dos seus novos treinadores, conseguem substituir o Porto na liderança do futebol nacional. Até agora perspectiva-se um campeonato melhor que o do ano passado.

JCD
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1 Comments:

Blogger Transeunte said...

Ok. O ideal é ter um F.C. Porto pior, para que o campeonato melhore. Está certo... Não era suposto ficar contente se o SLB e o SCP se tivessem aproximado dos bons niveis do FCP nas épocas anteriores?

11:34 da manhã  

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